«Que o teu filho viva amanhã no mundo dos teus sonhos»
Amílcar Cabral, Outubro de 1944

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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Andorinha cita recomendações de seminário de Língua Portuguesa

Encontro Internacional

Lisboa, 25/26 de Outubro de 2010

No quadro da comemoração do centenário da proclamação da República Portuguesa e há
mais de meio milénio depois do começo da expansão de Portugal no mundo, o que
provocou a irradiação da língua e da cultura portuguesas através dos diferentes continentes,
deve-se examinar o seu lugar e a sua presença num mundo onde a mundialização
representa ao mesmo tempo um trunfo e um desafio.

Língua de cerca de 250 milhões de pessoas, língua oficial de oito Estados (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor Leste) e de cerca de 20 Organizações intergovernamentais, ela é ensinada em 190 estabelecimentos da África, Europa, América, Oceania e da Ásia.

No entanto, a presença real do português mantém-se fraca em muitos domínios: ciberespaço, negociações internacionais, comércio, ciências, etc. e principalmente nas agências das Nações Unidas.

Diante desta situação, a União Latina, em colaboração com a Fundação Calouste Gulbenkian, organizou este encontro internacional, que serviu de foro de discussões e de reflexão sobre o lugar da língua portuguesa. O colóquio realizou-se sob o alto Patrocínio de Sua Excelência o Senhor Presidente da República e de Sua Excelência o Senhor Presidente da Assembleia da República e recebeu o apoio da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República, da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e da Fundação Luso-Americana.

As discussões foram articuladas em torno de temas como “a língua portuguesa no mundo”,” “diáspora e imigração”, “Valor económico da língua portuguesa“ e “Ciberespaço lusófono: como forma de difusão e de divulgação da língua“.

No seu discurso de encerramento, Sua Excelência o Senhor Embaixador José Luis Dicenta, Secretário Geral de União Latina, apresentou as principais recomendações exprimidas pelos participantes do encontro, ou seja.
·  utilizarem a língua portuguesa em todas as ocasiões públicas internacionais que se apresentem e sempre que possível, evitando o uso de uma língua estrangeira;
·  favorecerem uma estratégia comum das embaixadas dos países de língua portuguesa em prol da promoção do português nos diferentes países do mundo;
·  realizarem, de maneira concertada, acções que permitam a adopção da língua portuguesa como língua oficial ou de trabalho nas agências das Nações Unidas e aumentar a utilização da mesma nas organizações onde o idioma português já tem esse estatuto;
·  mobilizarem as diásporas lusofalantes como motor da promoção da língua;
·  contribuírem para uma maior presença da língua portuguesa na área das ciências e tecnologia;
·  promoverem uma política de dobragem em português para melhor difundir a língua no seio das populações dos países de língua portuguesa que apresentam altos índices de analfabetismo;
·  destacarem o valor económico da língua portuguesa, de modo a incentivar as empresas dos países lusofalantes a acompanharem a difusão e o uso da língua;
·  favorecerem a instauração de quotas mínimas de difusão de música e produção audiovisual em língua portuguesa nos media nacionais;
·  equipararem o IVA da edição digital com a edição tradicional;
·  acompanharem e apoiarem a actividade do IILP nesta nova etapa, decidida pelos países da CPLP em Brasília durante este ano;
·  elaborarem uma gramática única da língua portuguesa, que reflicta as características de todos os países que compõem a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa;
·  elaborarem um dicionário comum a todas as variantes da língua portuguesa;
·  constituirem um fundo comum aos países de língua portuguesa de terminologias científico-técnicas;
·  criarem uma dinâmica conjunta entre os países de língua portuguesa em matéria de neologismos;
·  promoverem o uso da língua portuguesa no seio das entidades internacionais e intergovernamentais;
·  promoverem uma aproximação com os espaços linguísticos próximos (isto é as línguas românicas) e em particular com os vizinhos naturais de Portugal e do Brasil, ou sejam os países de língua espanhola, sem esquecer a comunidade de fala galega.
Podem-se citar, de entre os oradores:
O Embaixador Manuel Maria Carrilho (ex-Ministro da Cultura e Embaixador de Portugal junto à UNESCO), a Dra. Isabel Alçada(Ministra da Educação), o Embaixador José Luis Dicenta(Secretário Geral da União Latina), o Dr. António Braga(Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas), o Dr.Emílio Rui Vilar (presidente da Fundação Calouste Gulbenkian), o Eng° Domingos Simões Pereira (Secretário Executivo da CPLP),o Dr. Jaime Gama (Presidente da Assembleia da República), a Dra. Paula Laborinho (Presidente do Instituto Camões), o Dr.Afonso Camões (Presidente de agência de Notícias LUSA), o Dr.Gilvan Müller de Oliveira (Director Executivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa).
  
Mais informações no sítio do colóquio: http://dtil.unilat.org/coloquio_lingua_port/index.htm

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Andorinha em Mondim de Bastos

No dia 12 de Novembro a Andorinha visitou o Agrupamento de Mondim de Bastos, a convite da direcção, no âmbito do projecto Andorinha – Promoção da Língua Portuguesa e da Cultura em Língua Portuguesa – um intercâmbio de escolas portuguesas e escolas no sector de Canchungo, Região de Cacheu, Guiné-Bissau.
«O Agrupamento de Escolas de Mondim de Basto é constituído por 7 Jardins-de-Infância, 11 escolas de 1º ciclo e uma escola de 2º e 3º ciclos com ensino secundário. No ano lectivo 2009-2010, serviu um total de 1332 alunos, assim distribuídos pelos diferentes ciclos: 111 - Pré-Escolar | 357 - Primeiro ciclo | 534 - 2º e 3º ciclos (ensino regular) | 143 - Secundário (ensino regular) | 121 - Cursos profissionais | 53 - CEF's - Cursos educação e formação | 23 - EFA - Educação e formação de adultos. Os recursos humanos e materiais afectos a este Agrupamento fazem dele a organização de maior dimensão do concelho de Mondim de Basto, terra de rio e montanha, localizada na fronteira entre Trás-os-Montes e o Minho, encostada ao Tâmega a poente e circundada pelo complexo montanhoso Marão-Alvão.»


Nesta visita inicial ficamos pelo edifício novo que alberga o 1.º Ciclo, acolhidos pelo professor José Manuel Carvalho, coordenador do projecto Andorinha neste estabelecimento de ensino. Durante a parte da manhã, realizamos duas sessões juntando duas turmas e respectivos professores no espaço da biblioteca. Sessões que repetimos da parte da tarde, voltando a reunir mais duas turmas e respectivos professores de cada vez.
Recorrendo-se a uma palete de imagens projectadas num grande ecrã, a apresentação incluiu: um enquadramento geográfico da Guiné-Bissau e da Região de Cacheu; o ambiente da Escola Pública de Iniciativa Comunitária de Cabienque – nomeadamente a utilização de quadros de giz pelos professores locais; a diversidade guineense de Canchungo, das habitações aos transportes, mercado e feira, principais culturas (arroz, cajú, mankara) e frutas (papaia, mangu, manfafa, fole), gastronomia; terminando com a arte da panadaria, os penteados femininos e o lúdico – incluindo curtos vídeos de brincadeiras das crianças.


Foi também a oportunidade para se entregar à directora professora Maria Laura Pereira uma carta do professor Bernardo Gomes, director da Escola Pública de Iniciativa Comunitária de Cabienque, e outra da direcção da AFIR – Associação dos Filhos e Irmãos de Cabienque.
Muito muito obrigado pelo acolhimento demonstrado e desejamos ter contribuído para o reforço deste projecto de intercâmbio escolar entre o Mondim de Bastos (Portugal) e Cabienque (Guiné-Bissau).

sábado, 13 de novembro de 2010

Andorinha em Várzea

No dia 31 de Outubro, num dia chuvoso, a Bankada Andorinha esteve com o grupo de catequizandos do 10º ano da paróquia de São João de Várzea, animado por Patrícia Silva – na freguesia de Várzea, concelho de Amarante.
Realizou-se a apresentação do historial das iniciativas, desde o programa radiofónico Andorinha ao projecto de actividades e os objectivos para o ano lectivo de 2010-2011. Complementarmente, foi projectado um conjunto diversificado de imagens que caracterizam a Região de Cacheu na Guiné-Bissau, dando particular atenção ao sector de Calequisse, porque este grupo apadrinha um menino chamado Octávio Mendes, que era apoiado pela Irmã Emilia Garcês em Betenta.
Esta Andorinha continua a projectar rotas de solidariedade!

domingo, 7 de novembro de 2010

Andorinha em "Grande Manhã" na RDP África


No passado dia 29 de Outubro, a Bankada Andorinha teve o privilégio de participar no programa radiofónico GRANDE MANHÃ da RDP ÁFRICA, que decorreu entre as 8.00 h e o Meio-Dia, no Auditório da RTP (Av. Marechal Gomes da Costa, em Lisboa), em mais uma emissão ao vivo integrada nas comemorações dos 75 anos da Rádio Pública – Uma Idade Que Fica No Ouvido.
Esta GRANDE MANHÃ DA RDP ÁFRICA AO VIVO contou com as presenças, entre outros convidados, da Dra. Brígida Rocha Brito, Heitor Sampaio, Sebastião Antunes, Fernando Ferreira, Jedy Blindado, Afrika Team, José Mussuaili, Vânia Oliveira, Tonecas, Firmino Pascoal e Dama Bete – «um alinhamento que tem por missão realçar a positiva e saudável convivência entre os povos falantes da língua portuguesa, demonstrando em várias vertentes os aspectos particulares de cada cultura e de cada país.»
A Bankada Andorinha teve oportunidade de voltar a fazer ouvir a sua voz para a Guiné-Bissau – em especial para Canchungo e a Região de Cacheu – Moçambique, São Tomé e Príncipe e outros recantos de Língua Portuguesa.
Um imenso obrigado a João Pedro Martins e Ana Jordão por mais este apoio. Bem hajam!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Andorinha em seminário de Língua Portuguesa


A Bankada Andorinha participou no Encontro Internacional “Língua Portuguesa e Culturas Lusófonas num Universo Globalizado” que decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian nos dias 25 e 26 de Outubro em Lisboa, organizado pela União Latina.
Evento teve uma Sessão de Abertura, com o Dr. Marçal Grilo, Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Dr. José Carlos Vasconcelos, director do “Jornal de Letras”, Dr. António Braga, Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Embaixador José Luís Dicenta, Secretário-Geral da União Latina, e Dr. Jaime Gama, Presidente da Assembleia da República.
Seguido de uma conferência, proferida pelo Prof. Doutor Manuel Maria Carrilho, Ex-Ministro da Cultura e Embaixador de Portugal na UNESCO.
O tema “A língua portuguesa no mundo” foi moderado pelo Prof. Doutor Ivo Castro, director da Área de Ciência da Linguagem da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e contou com as intervenções do Prof. Doutor Francisco Pinto Balsemão, presidente do grupo Impresa, Prof. Doutor Adriano Moreira, presidente da Academia das Ciências, Dr.ª Ana Paula Laborinho, presidente do Instituto Camões, Dr.ª Graça Mira Gomes, Ministério dos Negócios Estrangeiros, e Prof. Doutor Carlos Lopes, Sub-Secretário Geral das Nações Unidas.
O tema “Diáspora e imigração” foi dissertado pelo ensaísta Eduardo Lourenço, administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, Prof. Doutor Onésimo Teotónio de Almeida, Universidade de Brown, Embaixador Francisco Seixas da Costa, Embaixador de Portugal em França, e Prof. Doutor Hélder Macedo, Universidade de Londres, moderado pelo Prof. Doutor José Esteves Pereira, Vice-Reitor da Universidade Nova de Lisboa.
No dia seguinte, teve lugar o tema “Valor económico da língua portuguesa”, com um primeiro grupo moderado pelo Prof. Doutor Luís Filipe Barreto, com o Prof. Doutor Luís Reto, reitor do ISCTE, António Pedro Vasconcellos, cineasta, David Ferreira, editor, e Dr. Renato Borges de Sousa, Director do CIAL – Centro de Línguas. Seguiram-se Dr. Pedro Norton, vice-presidente da Comissão Executiva da Impressa, Prof. Doutor Estêvão de Moura, presidente da Imprensa Nacional – Casa da Moeda, Eng.º Vasco Teixeira, presidente da Porto Editora, e Dr. Paulo Teixeira Pinto, Presidente da APEL, moderado pela Prof.ª Paula Morão, da Universidade de Lisboa – Faculdade de Letras.
Por último, o tema “Ciberespaço lusófono: como forma de difusão e de divulgação da língua – internet e novas tecnologias”, foi protagonizado pelo Dr. Gilvan Müller, director do Instituto Internacional de Língua Portuguesa, Dr. Afonso Camões, presidente da Agência de Notícias LUSA, Prof. Doutor Carlos Correia, Universidade Nova de Lisboa / FCSH / CITI, e Prof. Doutor Gustavo Cardoso, director da OBERCOM – Observatório da Comunicação, moderado pelo Prof. Doutor Arnaldo Espírito Santo, da Universidade de Lisboa – Faculdade de Letras.
Este ambiente foi ainda abrilhantado pela conferência do Embaixador Alberto Costa e Silva.
Para a sessão de encerramento, estiveram presentes o Prof. Doutor João Sentieiro, presidente da FCT – Fundação para a Ciência e Tecnologia, Embaixador João Sentieiro, Secretário-Geral da União Latina, Dr. Domingos Simões Pereira, Secretário Executivo da CPL, e Dr.ª Isabel Alçada, Ministra da Educação.
Foi uma oportunidade soberana para ficarmos com diversos apontamentos e textos sobre esta temática – onde, por exemplo, se realçou o contributo da Galiza para a defesa da Língua Portuguesa e se recomendou uma maior atenção às 2.ª e 3.ª luso-descendentes espalhados pelo Mundo –, que iremos transmitir às diversas bankada Andorinha na Guiné-Bissau. Foi ainda oportunidade para se contactar diversas personalidades e divulgar a nossa iniciativa – recebendo unânimes elogios.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Andorinha cita Eduardo Marçal Grilo


Muitos jovens não aprendem porque não dominam a língua portuguesa, o que quer dizer que são incapazes de compreender o que é ministrado nas aulas, sejam estas de História, de Matemática ou e Física e Química. Significa isto que a melhoria do rendimento escolar está muitas vezes relacionado com um esforço a ser feito na aprendizagem da língua e que passa por quem tem responsabilidades na área da língua portuguesa, mas que não se esgota nesse esforço, dado que o trabalho a ser feito no domínio da leitura e da escrita tem de ser transversal a toda a actividade do aluno.
Eduardo Marçal Grilo, “Se Não Estudas Estás Tramado”

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Andorinha em Viana do Castelo



No dia 2 de Outubro, a Bankada Andorinha teve o seu espaço de apresentação no II Fórum “Abraçar a Guiné 2010”, sob o lema “Dilemas da Cooperação Internacional”, organizado pela Associação de Cooperação da Guiné-Bissau, no Museu de Arte e Arqueologia de Viana do Castelo. Este evento contou com o seguinte programa e participações:

9:00h – Recepção
9:30h – Sessão de Abertura
9:45h – Painel: Dilemas actuais da Cooperação Internacional”
            Moderadora: Flora Silva

Visões sobre Sustentabilidade - duas ONG´s/ dois projectos
            António Alberto Alves – Bankada Andorinha (Guiné-Bissau)
            Ana Patrícia Dias - Associação Kutsemba        

11:00h – Intervalo para café

11:30h – Painel “Comércio Justo”
            Moderador: José Pimenta
Xoan Hermida - ONG Amarante (Galiza)

12:30h – Debate

13:00h – Encerramento da sessão – Almoço

15:00h – Painel “ACGB – Projectos em curso”
            Moderador: Berta Santos

Projecto “Maternidade de Cacheu”
            José Luís Ponte – Presidente da ACGB
            Manuel Pimenta – Presidente da Fundação Manuel Pimenta
           
Projecto de “Juntos por Cacheu”
Ana Ribeiro – Escola E.B.2,3 Pintor José de Brito
           
Projecto “População com Deficiência”
Ana Silva, Vânia Marques e Cristina Magano – ACGB/APCVC/APPACDM

Projecto “Manual do Voluntário”
Luísa Correia – Pólo do Porto

17:00h – Debate
17:30h – Encerramento

A apresentação da Bankada Andorinha – promoção da Língua Portuguesa e da Cultura em Língua Portuguesa suscitou diversas curiosidades e promoveu um participado debate. Agradecemos a oportunidade e desejamos que seja o início de uma colaboração profícua em prol da Região de Cacheu.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Andorinha cita Maria Helena da Rocha Pereira


Os alunos estrangeiros preferem os professores brasileiros. Porquê?
Porque os brasileiros não sofreram aquele fenómeno fonético que é a desgraça da nossa língua: o fechamento das vogais pretónicas. Fiz um estudo sobre o assunto e julgo ter encontrado provas de que esse fechamento ocorreu já só no século XIX. Desde então, passámos a comer as sílabas. Outro desastre fonético foi a palatalização do «s» final. No Brasil, quando começaram a fazer telenovelas, estudaram a questão da pronúncia, nomeadamente a palatalização do «s» que se dá no estado de Rio de Janeiro. Os outros estados, de uma maneira geral, mantêm o «s» sibilado, e foi essa a pronúncia que concluíram ser a melhor para adoptar nas telenovelas. É muito mais compreensível.
Maria Helena da Rocha Pereira, em entrevista Filipa Melo (Ler – Livros & Leitores, n.º 91, Maio 2010)

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Andorinha no Marão


No dia 17 de Setembro a Andorinha visitou o Agrupamento de Escolas do Marão, a convite da direcção, no âmbito do projecto Andorinha – Promoção da Língua Portuguesa e da Cultura em Língua Portuguesa – um intercâmbio de escolas portuguesas e escolas no sector de Canchungo, Região de Cacheu, Guiné-Bissau.
«O território educativo do Agrupamento Vertical de Escolas do Marão abrange as freguesias de Aboadela, Sanche, Candemil, S. João de Várzea, Ansiães, Bustelo e Gondar do concelho de Amarante. | A Escola E. B. 2 / 3 do Marão, sede do Agrupamento de Escolas, está situada na tangencia de três  freguesias: Sanche, Aboadela e S. João de Várzea.»


Oportunidade para se entregar à directora Ercília Gonçalves Costa uma carta do professor Yofân Sambú, director da Escola Pública de Iniciativa Comunitária “Prof. Henrique Bamba Ferreira” de Canhobe e escola anexa de Teteo.
Foi proporcionada uma visita guiada pelo professor Carlos Alberto Pereira Gomes, coordenador do 1.º Ciclo, às instalações escolares, desde a sala dos professores aos serviços administrativos, passando pelos recintos gimnodesportivos ao refeitório, sem esquecer a biblioteca. Foi na visita a diversas salas de aula que pudemos constatar as melhorias introduzidas pelo plano tecnológico do Ministério de Educação de Portugal – nomeadamente o quadro interactivo.

Da parte da manhã foi realizada uma apresentação perante os alunos do 1.º Ciclo e respectivos professores, com a introdução do professor Carlos Alberto Pereira Gomes e do professor Victor Rui Correia, coordenadores do projecto Andorinha neste estabelecimento de ensino.
Recorrendo-se a uma palete de imagens projectadas num grande ecrã, a apresentação incluiu: um enquadramento geográfico da Guiné-Bissau e da Região de Cacheu; o ambiente das escolas de Canhobe e Teteo – nomeadamente a utilização de quadros de giz pelos professores locais; a diversidade guineense de Canchungo, das habitações aos transportes, mercado e feira, principais culturas (arroz, cajú, mankara) e frutas (papaia, mangu, manfafa, fole), gastronomia; terminando com a arte da panadaria, os penteados femininos e o lúdico – incluindo curtos vídeos de brincadeiras das crianças.


Esta apresentação foi repetida da parte da tarde, com uma introdução apaixonada da directora Ercília Gonçalves Costa, perante os alunos do 2.º e 3.º Ciclos e respectivos professores.
Valeram ainda os contactos informais e a curiosidade demonstrada por todos, de alunos a professores, do bibliotecário ao pessoal não-docente.

Muito muito obrigado pela hospitalidade demonstrada e desejamos ter contribuído para o reforço deste projecto de intercâmbio escolar entre o Marão (Portugal) e Canhobe (Guiné-Bissau).

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Andorinha cita Filomena Embaló

Na continuação da reflexão sobre o uso da Língua Portuguesa na Guiné-Bissau, citamos um texto redigido pela Dr.ª Filomena Embaló para o Associação Contributo [www.didinho.org] – 37 anos depois de proclamada a independência da Guiné-Bissau.
«NÓS E A LÍNGUA PORTUGUESA
Ao assumir a sua independência, a Guiné-Bissau, tal como as outras ex-colónias portuguesas, adotou como idioma oficial a língua lusa. No entanto, o português era na altura falado por uma ínfima percentagem da população, um rico mosaico linguístico-cultural, compreendendo mais de duas dezenas de etnias para uma população total estimada na altura em cerca de um milhão de habitantes.
Coabitando com estas línguas autótonas e desempenhando um papel aglutinador e de língua franca, temos o crioulo guineense (kriol). Língua falada essencialmente nos centros urbanos antes da guerra colonial, com as necessidades da mobilização das populações para as causas da luta, ele chegou às diferentes regiões do país, tornando-se na língua de comunicação das diferentes etnias entre si. Com isso ganhou os galões de língua da unidade nacional ou de língua nacional, ainda durante a luta armada de libertação, podendo até ser considerado como um fator de identidade nacional.
Neste contexto pode-se perguntar por que razão não terá sido o crioulo elevado a língua oficial quando, a 24 de setembro de 1973, a bandeira nacional foi içada nas Colinas de Boé.
Podem ser avançados diferentes considerandos para a não escolha do crioulo como língua oficial, tais como tratar-se de uma língua que não é utilizada na comunicação internacional. Mas o certo é que a escolha tinha como um obstáculo incontornável o facto de o crioulo, por ser uma língua essencialmente oral e sem uma grafía única adotada, não poder desempenhar de imediato o papel de língua oficial, chamada a ser a língua escrita e a língua de ensino. Das línguas presentes no território, apenas o português respondia a esse requisito.
Hoje, embora o crioulo tenha ocupado um lugar mais importante na vida cultural nacional (com uma mais ampla utilização, particularmente a nível literário e radiofónico e ter merecido ser objeto de estudos,  por parte de linguístas nacionais e estrangeiros) continua a ser uma língua sem escrita regulamentada, apesar da existência de uma proposta para unificação da sua ortografia feita pelo Ministério da Educação guineense em 1987. Nesta proposta a ortografia é fonética e com base no alfabeto latino, mas recorrendo a empréstimos do alfabeto internacional para expressar sons do crioulo que não existem na língua portuguesa. A inexistência de uma regulamentação faz com que cada um escreva o crioulo à sua maneira, o mesmo vocábulo aparecendo com diferentes grafias. Nestas circunstâncias, ele continua a não poder assumir as funções exigidas a uma língua oficial e de ensino. A inexistência de uma grafia única é também apontada como um freio ao desenvolvimento da literatura em língua crioula. Quanto às línguas autótonas, línguas maternas da maioria da população guineense, têm também ainda um longo caminho a percorrer para a sua passagem da oralidade à escrita e para se tornarem línguas de ensino.
Em tal contexto, a língua portuguesa, herança colonial certo, mas a melhor de todas no dizer de Amilcar Cabral, para além de ser a língua oficial da Guiné-Bissau é, quer queiramos quer não, a língua que nos dá o acesso ao ensino, à ciência e ao desenvolvimento. Ela deve por isso ser assumida descomplexadamente como uma nossas das línguas nacionais! Já ouvi por várias ocasiões compatriotas nossos dizerem que pouco vale para os guineenses aprenderem a língua portuguesa, uma vez que acabam por ir estudar no estrangeiro, nem sempre num país lusófono. Pura ignorância! O que essas pessoas desconhecem é que a aprendizagem e o domínio de uma língua estruturada, como o é o português, são uma porta aberta para a aprendizagem e o domínio de outras línguas, nomeadamente as línguas românicas, que possuem estruturas idênticas. Para mim esse argumento, que classifico de falacioso, é apenas uma justificação ou uma desculpa de quem tem a consciência de não dominar a língua oficial do seu próprio país e não tem o mínimo interesse em melhorar os seus conhecimentos linguísticos. Uma atitude de puro complexo!
Infelizmente, o ensino da língua portuguesa na Guiné-Bissau, por razões várias, entre as quais a debilidade económica do Estado, sem no entanto deixar de apontar para a que considero fundamental e que é falta de uma real vontade política de se fazer desta língua um fator de desenvolvimento, defronta-se com imensos problemas e limitações. Entre estes, cito apenas alguns que me parecem cruciais. Em primeiro lugar, o fraco nível de formação dos próprios professores, quer do ensino básico, quer do secundário, que não dominando eles mesmos a língua de ensino, tornam-se em elementos multiplicadores de uma "aprendizagem" deficiente da língua portuguesa. Ainda ligada à formação dos docentes, existe a necessidade destes serem preparados para o ensino do português, não como língua materna, mas como língua segunda, na medida em que não se trata da mesma pedagogia de ensino. Outra questão é a falta de bibliotecas/centros de leitura que possam pôr à disposição dos alunos livros e, através da leitura, contribuirem para uma maior familiarização com a língua, seu aprofundamento e um maior gosto pela sua aprendizagem. Por fim, a mentalidade que existe de que "não sendo nossa, a língua portuguesa não deixa falta" ...
O resultado de toda esta complexidade de fatores é que não só os alunos não aprendem corretamente o português, mas também se debatem com imensas dificuldades na aprendizagem das outras disciplinas, devido ao não domínio da língua de ensino. Como consequência, ao sairem da formação liceal, uma boa parte (para não dizer a maioria) dos jovens não dominam a língua portuguesa e têm um fraco nível nas outras matérias. E isso constata-se nos que vão estudar para o estrangeiro, muitos deles sendo obrigados a desistir dos estudos. Por outro lado, não é raro ver estudantes guineenses que mesmo tendo ido para países de língua portuguesa, Portugal e Brasil nomeadamente, arrastam essa deficiêncialinguística até ao fim das suas licenciaturas e até mesmo doutoramentos. E o que é grave, ainda, é que para muitos o português permanece um idioma estrangeiro, que por falta do seu domínio têm vergonha de falar, reforçando assim a engrenagem no sentido da sua desaprendizagem.
É preocupante esta situação e as autoridades educativas deveriam levar a sério o ensino da língua oficial na formação dos recursos humanos da Nação. Para a Guiné-Bissau não é um "luxo" ter-se o domínio do português. É uma necessidade imperiosa para a formação dos seus recursos humanos com vista ao o desenvolvimento económico, social e político, pois é através dessa língua que se acede ao conhecimento, mesmo se mais tarde a formação venha a ser completada no estrangeiro.
Um outro elemento a ter em conta para promoção e preservação da língua portuguesa, é o papel que a Guiné-Bissau pode desempenhar, juntamente com Cabo Verde, na criação de consensos num contexto regional em que dos 15 países da CEDEAO, 5 têm como língua oficial o inglês e 8 o francês.
Encorajo as ONG e associações que trabalham com jovens a darem uma atenção particular a este aspeto da formação da nossa juventude, através da dinamização de atividades que estimulem a aprendizagem do português, como a criação de centros de leitura nos bairros, a realização de pequenos concursos literários, a realização de peças de teatro em língua portuguesa e outras que a imaginação e as condições possam permitir.
A este propósito, para finalizar, gostaria de aqui apresentar um projeto/programa radiofónico emitido desde 2008 na Guiné-Bissau, mais precisamente em Cantchungo, que, indo no sentido do que aqui preconizo, tem como objetivo a promoção da língua portuguesa e da cultura em língua portuguesa, com o fim de sensibilizar os jovens e levá-los a "praticarem a oralidade e ultrapassarem o receio de falarem em português".
Trata-se do programa ANDORINHA na Rádio Comunitária Uler A Baand, promovido por Marcolino Elias Vasconcelos, professor no Liceu Regional Hô Chi Minh, e António Alberto Alves, sociólogo e voluntário. Com uma periodicidade semanal, todas as quintas-feiras entre as 20H30 e 21H30 na frequência de 103 MHz, este programa tem como grupos-alvo professores e alunos de português e pessoas interessadas nesta língua e na cultura em língua portuguesa e tem vindo a despertar um grande interesse no seio da população.
Para mais informações, convidamos a consultarem o site do projeto e a documentação constante nos enlaces que se seguem:
(1) Tal como os meus últimos artigos, este texto obedece ao Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
[A autora nasceu em Angola, filha de pais cabo-verdianos e tem nacionalidade Bissau-Guineense. Formou-se em Ciências Económicas na França e ocupou cargos na Função Pública bissau-guineense, no país e no exterior. Actualmente, além de contribuir para o projeto Didinho.org, trabalha em Paris, na organização intergovernamental União Latina.]

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Andorinha cita Amílcar Cabral

Com a intenção de se lançar uma reflexão e debate sobre o uso da Língua Portuguesa na actual Guiné-Bissau, iniciamos por citar o que Amílcar Cabral escreveu sobre o assunto:
«[...] Devemos combater tudo que seja oportunismo, mesmo na cultura. Por exemplo, há camaradas que pensam que, para ensinar na nossa terra, é fundamental ensinar em crioulo já. Então outros pensam que é melhor ensinar em fula, em mandinga, em balanta. Isso é muito agradável de ouvir; os balantas se ouvirem isso ficam muito contentes, mas agora não é possível. Como é que vamos escrever balanta, agora? Quem é que sabe a fonética do balanta? Ainda não se sabe. É preciso estudar primeiro, mesmo o crioulo. Eu escrevo, por exemplo, n’ca na bai. [N’ca na bai: não vou!] Um outro pode escrever, por exemplo, n’ka na bai. Dá na mesma. Não se pode ensinar assim. Para ensinar uma língua escrita é preciso ter uma maneira certa de a escrever, para que todos a escrevam da mesma maneira, se não é uma confusão do diabo.
Mas muitos camaradas, com sentido oportunista, querem ir para a frente com o crioulo. Nós vamos fazer isso, mas depois de estudarmos bem. Agora a nossa língua para escrever é o português. Por isso é que tudo vale a pena falar-se aqui tanto o português como o crioulo. Não somos mais filhos da nossa terra se falarmos crioulo, isso não é verdade. Mais filho da nossa terra é aquele que cumpre as leis do Partido, as ordens do Partido, para servir bem o nosso povo. Ninguém deve ter complexo porque não sabe balanta, mandinga, papel ou fula ou mancanha. Se souber, melhor, mas se não sabe, tem que fazer com que os outros o entendam, mesmo que for por gestos. [...]
Temos que ter um sentido real da nossa cultura. O português (língua) é uma das melhores coisas que os tugas nos deixaram, porque a língua não é prova de nada mais senão um instrumento para os homens se relacionarem uns com os outros; é um instrumento, um meio para falar, para exprimir as realidades da vida e do mundo. Assim como o homem inventou o rádio para falar à distância, sem falar com a língua, só com sinais, o homem através do tempo do seu desenvolvimento começou a falar, a necessidade de comunicar-se fê-lo começar a falar. Desenvolveu as cordas vocais, etc., até falar. E como a língua depende do ambiente em que se vive, cada povo criou a sua própria língua.
Se repararmos, por exemplo, na gente que vive perto do mar, a sua língua tem muita coisa relacionada com o mar; quem vive no mato, a sua língua tem muita coisa relacionada com as florestas. Um povo que vive no mato, por exemplo, não sabe dizer bote, não conhece o bote, não vive no mar. Por exemplo, na linguagem de certos povos da Europa, as coisas dom mar, da navegação, dizem-se como em português, porque os portugueses viviam junto ao mar. Tudo isso tem a sua razão de ser.
A língua é um instrumento que o homem criou através do trabalho, da luta para comunicar com os outros. E isso deu-lhe uma grande força nova, porque ninguém mais ficou fechado consigo mesmo: passaram a comunicar uns com os outros, homens com homens, sociedades com sociedades, povo com povo, país com país, continente com continente. Que maravilha! Foi o primeiro meio de comunicação natural que houve, a língua. Mas o mundo avançou muito, nós não avançamos muito, tanto como o mundo, e a nossa língua ficou ao nível daquele mundo a que chegámos, que nós vivemos, enquanto o tuga, embora colonialista, vivendo na Europa, a sua língua avançou bastante mais do que a nossa, podendo exprimir verdades concretas, relativas, por exemplo, à ciência. Por exemplo, nós dizemos assim: a Lua é um satélite natural da Terra. Satélite natural, digam isso em balanta, digam em mancanha. É preciso falar muito para o dizer, é possível dizê-lo, mas é preciso falar muito, até fazer compreender que um satélite é uma coisa que gira à volta de outra. Enquanto que em português basta uma palavra. Falando assim, qualquer povo no mundo entende. E a matemática, nós queremos aprender matemática, não é assim? Por exemplo: raiz quadrada de 36. Como é que se diz raiz quadrada em balanta? É preciso dizer a verdade para entendermos bem. Eu digo, por exemplo: a intensidade de uma força é igual à massa vezes aceleração da gravidade. Como é que vamos dizer isso? Como é que se diz aceleração da gravidade na nossa língua? Em crioulo não há; temos que dizer em português.
Mas para a nossa terra avançar, todo o filho da nossa terra, daqui a alguns anos, tem que saber o que é aceleração da gravidade. Não explico isso agora, porque não há tempo, temos muito trabalho. Mas camaradas, amanhã, para avançarmos a sério, não só os dirigentes: todas as crianças de 9 anos de idade têm que saber o que é a aceleração da gravidade. Na Alemanha, por exemplo, todas as crianças sabem isso. Há muita coisa que não podemos dizer na nossa língua, mas há pessoas que querem que ponhamos de lado a língua portuguesa, porque nós somos africanos e não queremos a língua de estrangeiros. Esses querem é avançar a sua cabeça, não é o seu povo que querem fazer avançar. Nós, Partido, se queremos levar para a frente o nosso povo, durante muito tempo ainda, para escrevermos, para avançarmos na ciência, a nossa língua tem que ser o português. E isso é uma honra. É a única coisa que podemos agradecer ao tuga, ao facto de ele nos ter deixado a sua língua, depois de ter roubado tanto da nossa terra. Até um dia em que de facto, tendo estudado profundamente o crioulo, encontrado todas as regras de fonética boas para o crioulo, possamos passar a escrever o crioulo. Mas nós não proibimos ninguém de escrever o crioulo: se alguém quiser escrever o crioulo, se alguém quiser escrever uma carta ao Tchutchu em crioulo, pode escrever. Somente ele, na resposta que lhe mandar, vai escrever de maneira diferente, mas faz-se compreender. Mas para a ciência, o crioulo não serve. Mesmo em balanta, lembro-me de um camarada nosso, que infelizmente morreu, Ongo, nós escrevíamos em português, passávamos para crioulo e ele escrevia em balanta. Porque é possível escrever balanta. Uma pessoa que sabe bastante português é capaz de escrever balanta. Diz, por exemplo, Watna [Watna: vamos] ou, então, n’calossa [N’calossa: eu vou]. Eu sei escrever, mas escrevo à minha maneira; outra pessoa já escreve à sua maneira. Mesmo «djarama» [«Djarama»: obrigado!] em fula pode escrever-se com o d e j, ou pode escrever-se só com j, mas lê-se djarama porque o j no começo da palavra pode ter o valor de dj. Mas temos que arranjar uma regra primeiro. Tem que ser, camaradas, porque temos de tirar o máximo proveito da experiência de outros povos, não só da nossa própria experiência. Mas se quisermos empregara essa experiência para a utilizarmos na nossa terra, temos que utilizar as expressões doutras línguas. Ora se temos se temos uma língua que pode explicar tudo isso, usemo-la, não faz mal nenhum.
Para nós tanto faz usar o português, como o russo, como o francês, como o inglês, desde que nos sirva, como tanto faz usar tractores dos russos, dos ingleses, dos americanos, etc., desde que tomando a nossa independência nos sirva para lavrar a terra. Porque a língua é um instrumento, mas pode acontecer que tenhamos já uma língua que pode servir e que toda a gente entende. Então não vamos pôr toda a gente a aprender o russo, não vale a pena, tanto mais que temos uma língua que é o crioulo, que é parecida com o português. Se nas nossas escolas ensinamos aos nossos alunos como é que o crioulo vem do português e do africano, qualquer pessoa saberá português muito mais depressa. O crioulo prejudica quem aprende português, porque não sabe qual é a ligação que existe entre o português e o crioulo, mas se se conhecer a ligação que há, isso facilita aprender o português. [...]»
“P.A.I.G.C. – Unidade e Luta” Amílcar Cabral, Publicações Nova Aurora, Textos Amílcar Cabral / Nº 2, Lisboa, 1974, p. 246

sábado, 11 de setembro de 2010

Andorinha para Portugal





No final do ano lectivo na Guiné-Bissau, os directores e professores, bem como as Associações de Filhos de... tabanka que apoiam as respectivas Escolas, redigiram cartas de agradecimento e apelando para a continuidade do projecto Andorinha – Promoção da Língua Portuguesa e da Cultura em Língua Portuguesa – um intercâmbio de escolas portuguesas e escolas no sector de Canchungo, Região de Cacheu, Guiné-Bissau.
Ao longo deste ano lectivo de 2009-2010, o projecto teve o seu arranque com o intercâmbio de correspondência escolar entre os alunos, e alguns professores, da Escola EB 2,3 Dr. Joaquim Magalhães de Faro (Portugal) com o Liceu Regional Hô Chi Minh em Canchungo (Guiné-Bissau). De Faro chegaram um conjunto de cartas, os de Canchungo responderam, os de Faro voltaram a escrever e, neste momento, são os Canchungo que ficaram de responder – aguardando por um conjunto de materiais que os alunos e professores portugueses recolheram e que tiveram de ser enviados por intermédio de uma ong portuguesa...
Em Março chegou à Escola Pública de Iniciativa Comunitária “Tomás Nanhungue” de Tame (Guiné-Bissau) a correspondência escolar do Agrupamento de Escolas de Vila Caíz (Portugal), acompanhada por diverso material de apoio. Os alunos e professores de Tame responderam e ficaram a aguardar a resposta de Vila Caíz.
Em Junho chegou à Escola Pública de Iniciativa Comunitária de Cabienque (Guiné-Bissau) a correspondência escolar do Agrupamento de Escolas de Mondim de Bastos (Portugal), acompanhada por generoso material de apoio didáctico-pedagógico. Os alunos e professores esboçaram uma resposta, que irá ser concretizada no início deste ano lectivo – calendarizado na Guiné-Bissau para o início de Outubro.
Em Julho o Agrupamento de Escolas do Marão (Portugal) enviou a correspondência escolar e diverso material de apoio para a Escola Pública de Iniciativa Comunitária “Prof. Henrique Bamba Ferreira” de Canhobe (Guiné-Bissau) – aguardando-se a sua iminente chegada...
É um projecto em construção, tal como o propusemos desde o início, dependendo das iniciativas dos diversos autores e actores, e que terá certamente a sua continuidade no ano lectivo de 2010-2011. Complementarmente, estamos em contacto com outras escolas em Portugal para se alargar o projecto – bem como em Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Brasil, Moçambique, e ainda onde existem comunidades portuguesas, com enfoque especial nos luso-descendentes de 2.ª e 3.ª gerações, que utilizam a Língua Portuguesa com língua segunda (como no Luxemburgo, Alemanha, África do Sul). A ver vamos...
[Quem desejar aderir ao projecto Andorinha – escola, director, professor, aluno, ou qualquer interessado – contacte-nos: andorinha.em.canchungo@gmail.com. São bem-vindos! O princípio é simples – todavia de enorme impacto nos alunos guineenses e respectiva comunidade educativa – e o compromisso é também simples: basta escreverem e enviarem cartas.]

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Andorinha em ano lectivo 2009-2010












Em Canchungo e na Região de Cacheu, e pouco a pouco, em Bissau e na Guiné-Bissau, a designação de “Andorinha” é já sinónimo de promoção da Língua Portuguesa e da Cultura em Língua Portuguesa. Esta iniciativa Andorinha surge como pioneira num país onde a utilização da Língua Portuguesa é muito baixa e a sua riqueza parte da própria motivação de jovens estudantes e professores se organizarem em autoformação, promovendo o uso oral e escrito da Língua Portuguesa no quotidiano e nos ambientes escolares.

Do que as iniciativas Andorinha têm realizado desde o início deste ano lectivo 2009-2010, destacamos:
- O envolvimento e formação de jovens das bankada Andorinha para apoiarem e realizarem o programa Andorinha na Rádio Comunitária Uler A Baand – todas as quintas-feiras entre as 20.3h e 21.3h na frequência de 103 MHz;
- As acções de apresentação das bankada Andorinha e a sensibilização ao uso da Língua Portuguesa realizadas no Complexo Escolar Santo Agostinho, Escola EBU, Escola 1º de Junho e ADRA – Escola Adventista, em Canchungo, por solicitação dos respectivos directores;
- A organização e realização da actividade “Nô Pensa Cabral!”;
- A entrega da correspondência escolar enviada pelo Agrupamento Vertical de Escolas Dr. Joaquim de Magalhães de Faro à direcção do Liceu Regional Hô Chi Minh em Canchungo;
- A constituição de uma bankada Andorinha em Bissau – na Paróquia de Brá;
- A sessão de apresentação das bankada Andorinha e a sensibilização ao uso da Língua Portuguesa realizada no âmbito do intercâmbio de alunos e professores entre o Liceu Regional Hô Chi Minh e o Liceu Dr. Luís Fona Tchuda de Gabú, sob o lema “Juntos para um ensino de qualidade face aos desafios do futuro”;
- O início da emissão do programa Andorinha na Rádio Babok – todos os domingos, entre as 21h e 22h na frequência de 98 MHz;
- A acção de apresentação das bankada Andorinha e a sensibilização ao uso da Língua Portuguesa realizada no Liceu Domingos Mendonça em Cacheu;
- A entrega da correspondência escolar e de diverso material enviado pelo Agrupamento Vertical de Escolas de Vila Caíz à direcção e professores da Escola Pública de Iniciativa Comunitária “Tomás Nanhungue” em Tame;
- A visita à bankada Andorinha “Umeeni” em Petabe.

De 19 a 25 de Abril de 2010 comemoramos este segundo aniversário do surgimento das iniciativas Andorinha, com a realização de um conjunto de acções:
- 19 Abril (segunda-feira): Entrega de 433 músicas em Língua Portuguesa, de 93 artistas/grupos de Portugal, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Timor Leste, à Rádio Comunitária Uler A Baand e Rádio Babok;
- 20 Abril 10h (terça-feira): Inauguração da 2.ª Feira do Livro no Centro de Desenvolvimento Educativo de Canchungo;
- 20 a 24 Abril (8.3-11h e 16-19h): 2.ª Feira do Livro no Centro de Desenvolvimento Educativo de Canchungo;
- 24 Abril a partir das 16h (sábado): 2.ª Festa Andorinha na COAJOQ – Cooperativa Agro-Pecuária de Jovens Quadros;
- 25 Abril (domingo): Documentário sobre a Revolução dos Cravos em Portugal.

- A inauguração da 1.ª Feira do Livro no Centro de Recursos em Cacheu;
- A entrega da segunda correspondência escolar enviada pelo Agrupamento Vertical de Escolas Dr. Joaquim de Magalhães de Faro à direcção do Liceu Regional Hô Chi Minh em Canchungo;
- A oferta de 60 t-shirts Andorinha pela empresa Jomav – Importação e comercialização de materiais de construção;
- A cerimónia de tomada de posse da bankada Andorinha Liceu Domingos Mendonça em Cacheu;
- A constituição da bankada Andorinha da Escola 1.º de Junho em Canchungo;
- A entrega da correspondência escolar e de diverso material enviada pelo Agrupamento Vertical de Escolas de Mondim de Bastos à direcção e professores da Escola Pública de Iniciativa Comunitária de Cabienque e à direcção da AFIR – Associação dos Filhos e Irmãos de Cabienque;
- A constituição da bankada Andorinha “União Faz a Força” em Tchulame.

Alargamos a sensibilização pela Língua Portuguesa em escolas, aumentamos as bankada Andorinha em número e âmbito geográfico (Petabe, Tchulame, Cacheu, Bissau), desdobramos o programa Andorinha para a Rádio Babok (todos os domingos, das 21 às 22 horas), expandimos a feira do livro (para Cacheu), formamos jovens para colaborarem nos programas radiofónicos, consolidamos um grupo activo em trabalho voluntário. Com uma cadência semanal de reuniões (todos os sábados, pelas 17 horas), decidimos ao longo do mês de Junho realizar uma reflexão e autoformação sobre o funcionamento de uma associação, que incluiu a concepção e redacção de uma proposta de estatutos. A 19 de Junho fundamos a associação Bankada Andorinha, com a redacção da respectiva acta – a que seguirão os diversos passos legais para a sua efectivação.

Para o próximo ano lectivo haverá muito mais+...

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Andorinha em Bissau


«República da Guiné-Bissau
Relatório de sensibilização sobre promoção da Língua Portuguesa e a Cultura em Língua Portuguesa
Bissau


Nada mais e nada menos, o trabalho de sensibilização foi coroado com êxito, portanto a sensibilização que fizemos é composta por duas fases:
A primeira fase conseguimos mobilizar oito dirigentes de diferentes nacionalidades com certos níveis do conhecimento académico entre os quais quatro portugueses (André de ong espanhola, Margarida da Cáritas, duas Marta uma trabalha na RTP) e também quatro guineenses (Faustino Gomes, Bertrand Mendes, Papis e Júlio Mendes Ninte), todos são estudantes universitários; razão para tal os elementos da primeira fase são equipas constituintes do trabalho de sensibilização.
Na segunda fase promovemos, ou seja, avançamos coma sensibilização sobre promoção da Língua Portuguesa em alguns bairros periféricos da capital, onde conseguimos juntar mais de trinta jovens no Centro Paroquial de “Brá”.
A base daquilo foi programada várias actividades que foi cumprida mais ou menos na sua integridade.


Programa de actividades:
1.ª Capacitação dos jovens no domínio da gramática de 2.ª a 6.ª feira de acordo com a disponibilidade dos dirigentes.
2.ª Teatro em Língua Portuguesa e jogos de palavras.
3.ª Divulgação da Língua Portuguesa e da Cultura em Língua Portuguesa nas diferentes escolas.


Bissau: 05/07/010
Promotor
Júlio Mendes Ninte»


Foi este relatório de actividades que recebemos da bankada Andorinha da Paróquia de Brá em Bissau. Recebemos igualmente uma listagem dos membros desta bankada, que nos informa que iniciaram com 38 elementos, com diferentes situações estudantis: 14 universitários e 11 setimistas, 3 da 11.ª Classe e 3 da 8.ª Classe, provenientes de diferentes bairros da capital guineense: Brá, Bairro Militar, Quelélé, Chão de Pepel, S. Paulo. O apoio em Língua Portuguesa, nomeadamente no domínio da gramática, realizado por quatro voluntários portugueses e quatro voluntários guineenses, foi proporcionado a 16 alunos das 4.ª, 5.ª e 6.ª Classe e a 12 alunos das 7.ª e 8.ª Classes.
O encontro e intercâmbio entre a bankada Andorinha da Paróquia de Brá em Bissau e as bankada Andorinha de Canchungo e Cacheu não se conseguiu realizar neste ano lectivo, contudo irá ser uma das prioridades para o próximo ano lectivo.
Boas Férias... também em Língua Portuguesa!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Andorinha em formação




Eduardo Gomes, presidente das bankada Andorinha, foi incluído na formação da GRDR – Migração Cidadania Desenvolvimento de reforço das OCB – Organizações Comunitárias de Base dos sectores de Bula, Cacheu, Calequisse e Canchungo na Região de Cacheu, filiadas na CONGAI – Confederação das Organizações não Governamentais e Associações Intervenientes ao Sul do Rio Cacheu. A formação em Associativismo, Contabilidade e Gestão, Elaboração de Projectos, decorreu numa das salas do Liceu Regional Hô Chi Minh de 29 de Julho a 2 de Agosto em sessões de 8 horas, num total de 40 horas de formação.
A GRDR, desde a sua criação em 1969, «acompanha a condução de projectos para melhorar as condições de vida das populações associando os emigrantes oriundos das zonas e as populações. Esta especificidade inscreve a associação numa dinâmica migração-desenvolvimento.» A célula da GRDR Guiné-Bissau, localizada em Canchungo, é a mais recente da GRDR, criada em 2009 «após a solicitação das associações de emigrantes na França mobilizadas para o desenvolvimento do seu território de origem e tendo conhecimento das acções da GRDR em Casamance e na bacia do Rio Senegal.»
A escolha de Eduardo foi votada em reunião da bankada central Andorinha, ficando com o compromisso de replicar os ensinamentos pelos restantes membros nas próximas reuniões – o que está a ser cumprido. Esta oportunidade vem reforçar o processo de constituição da associação Bankada Andorinha e é o primeiro sinal de reconhecimento da associação como nova entidade parceira na região...

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Andorinha em biblioteca


Os jovens estudantes e professores das bankada Andorinha ofereceram ao Centro de Desenvolvimento Educativo de Canchungo as seguintes obras: “A Questão do Casamansa e a Delimitação das Fronteiras da Guiné” Maria Luísa Esteves e “Gonçalo de Gamboa de Aiala, Capitão-Mor de Cacheu, e o comércio negreiro espanhol” de Maria Luísa Esteves, IV Centenário da Fundação da cidade de Cacheu 1588 – 1988 “Cacheu, cidade antiga”, edição conjunto do Instituto de Investigação Científica Tropical (Lisboa, Portugal) e INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (Bissau, Guiné-Bissau).
Esta iniciativa é resultado da 2.ª Feira do Livro Andorinha, organizada pela bankada central Andorinha, de 20 a 24 Abril (8.3-11h e 16-19h) no Centro de Desenvolvimento Educativo de Canchungo.
Este Centro está suficientemente equipado com dicionários de Língua Portuguesa e algumas obras de referência na área da Educação. O remanescente, reflexo do apoio inicial da Cooperação Portuguesa, limita o seu espólio às ofertas de manuais escolares portugueses usados e obras em segunda mão editadas em Portugal. Neste ano lectivo, foi objectivo da bankada central Andorinha, a disponibilização de obras sobre a Guiné-Bissau e África – como aconteceu com Amílcar Cabral em Janeiro. Este objectivo – também de “devolver as obras guineenses à Guiné-Bissau” – irá prosseguir com a associação Bankada Andorinha.
Se alguém, ou instituição, quiser ajudar de alguma forma, contacte-nos – será bem-vindo...