
«Existe também uma mercearia de portugueses, do senhor Orlando – que ainda não tive a oportunidade de conhecer. É quase sempre a filha que está atrás do balcão, nascida na Guiné-Bissau, ou o marido, também português e aqui nascido. São ambos muito simpáticos e é a quem tenho recorrido para pedir informações conselhos, solidariedades – neste momento é ele que leva estas cartas para serem expedidas pelos Correios em Bissau.
Acontece também ser interpelado na rua nas lojas no mercado, sobretudo por homens mais velhos, perguntando-me se sou português, para me revelarem a sua ligação a portugueses e para poderem falar com orgulho o seu melhor português! Foi o caso de um ex-combatente do exército português, de um ex-cozinheiro de uma família portuguesa, de um muçulmano ex-tratador de gado de um agricultor português.
Já me habituei a que alguns miúdos corram para mim a gritar “branco pelelé”! Neste contexto, a minha cor de pele, branca, dá nas vistas, e nem preciso de ter um nome, sou simplesmente o branco! Aproveito sempre para lhes ensinar o meu nome e agora alguns já correm a gritar “António”!» [26.10.2006]
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